sábado, 5 de junho de 2010
Luluzinha Camp
O primeiro LuluzinhaCamp ganhou forma em agosto de 2008, em São Paulo, organizado por seis blogueiras. A proposta inicial era fazer um encontro anual reunindo mulheres que usam a internet (com blogs e outras ferramentas) para a troca de experiências ao vivo. Mas o negócio cresceu e hoje o evento é realizado regularmente tanto na Capital paulista quanto no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Juiz de Fora e Salvador.
Os encontros regionais ocorrem em março, junho e dezembro, e em setembro acontece a reunião nacional, em São Paulo, quando Luluzinhas de todo o Brasil são convidadas para um intercâmbio de ideias.
Venha trocar ideias, ampliar seu networking e divertir-se muito. O LuluzinhaCamp em Tubarão é aberto a todas as interessadas, acontece no dia 19 de junho, a partir das 16h, no Café com Pinga. Inscrições aqui no valor de R$ 15. Maiores informações sobre o evento, no site oficial (http://www.luluzinhacamp.com).
sexta-feira, 4 de junho de 2010
O tempo da web
Não raras são as vezes que nos deparamos com frases do tipo: “a doença do século é o HIV”. levando-se enconta que boa parcela da população já faz da sua vida usual, apenas momentos virtuais, as coisas podem mudar de figura e a doença mais temida tornaria-se o “cavalo de tróia”.
O mundo virtual é um aliado, quando facilita a movimentação bancária, agiliza a entrega de um documento, suprime espaço das prateleiras armazenando e-books, mp3 e arquivos de vídeo em AVI. O mundo virtual pode ser uma pesadelo, quando um hacker invade seu computador e rouba informações como seu cpf e número de cartão de crédito, quando pessoas do outro lado do país sabem mais sobre você, pelo twitter do que seus filhos pessoalmente. É um verdadeiro dilema dos tempos modernos, se você não usa as ferramentas básicas da internet, você é esta por fora, se usa pouco é relaxado, se usa muito é viciado e perde a vida social. Existiria um ideal?
Estudos recomendam duas horas diárias de internet. Essa dose homeopática não seria suficiente por exemplo pra mim. Preciso ver e-mail, espiar orkut e face-book, responder os posts e comentar as fotos, dar alguns pitacos no twitter, ver algumas coisas no you tube, dar um olá para o pessoal do msn, e assim lá se foram algumas preciosas horas da minha vida.
Todas essas facilidades que a internet proporciona tem um preço, o tempo. O senhor da verdade, mal sabemos organiza-lo, mas sempre temos um jeito para espremer aqui e ali um pouquinho mais. O impulso do post, no twitter por exemplo e como o vicio do cigarro, sempre dizemos este e o ultimo, assim se vão mais uns dez tweets.
Parafraseando a Rita Lee, a internet pode ser um luxo, mas criticada por muitos como um lixo. Mas ‘e fundamental saber equilibrar o uso dessa ferramenta, assim como define o pesquisador Federico Casalegno: “ a maioria das pessoas parece querer separar o espaço virtual do real, não faço essa distinção (...) no futuro as fronteiras permeáveis serão as mais interessantes para se estudar e compreender”. Afinal a imediaticidade já esta nas nossas vidas, mas o prazer de uma roda de bar ainda não foi substituído por clic`s.
Dependência virtual ou parceria cibernética?
Você acorda de manhã cedo e, enquanto prepara o café, sintoniza sua rádioweb preferida para ouvir um pouco de música ou o noticiário local.
Pouco depois, abre sua caixa de e-mail, deleta uma dúzia de spams, descobre que seu chefe ficou insatisfeito com seu último relatório, confere as fotos da viagem ao Chile, enviadas por sua tia, acompanha o andamento de seu pedido na Saraiva, renova o prazo dos livros emprestados da biblioteca, espia um ou dois portais de notícia para ver o que aconteceu no mundo e em sua comunidade nas últimas 12 horas, pesquisa uma solução para questões domésticas usando o Google e aproveita para escolher uma receita de salmão para surpreender o namorado no fim de semana, num badalado blog de culinária.
Tantas atividades e não se passaram nem cinco minutos. Agora, é a vez da diversão: no Orkut (ou no Facebook), confere scraps de amigos e perde algum tempo cultivando coisas imaginárias em aplicativos como Fazendinha Feliz. Surpreende-se, momentaneamente, por ver-se “amiga” de 400 outras pessoas, mas conhecer o sobrenome de apenas umas dez delas.
Clica no ícone do passarinho azul e confere a enxurrada de pensamentos de seus seguidos, alguns úteis, muitos absurdos, uma porção deles até inconvenientes.
Você de repente começa a perceber que sobra muito pouco o que fazer fora de seu universo virtual – afinal de contas, serviços bancários, pagamento de contas, aluguel de filmes, compras no supermercado, contato com amigos – tudo pode ser feito virtualmente. Até seu namoro é fruto da cibercultura, romance que vingou após brotar numa dessas salas de bate-papo da vida.
Mais do que uma relação amorosa, a internet está alçando o status de “companheira para todas as horas” para muitos de nós. Estaríamos, no entanto, nos tornando submissos à máquina? É o que argumenta Jean Baudrillard, que também aborda um ponto nevrálgico na relação entre homens e internet: não há mais distinção entre o público e o privado.
Se há pouco mais de dez anos as pessoas nutriam certos pudores quanto à vida pessoal, hoje esta barreira definitivamente foi ao chão. Já não há mais nada de mal em expor as fotos de sua última noitada no bar da esquina com os amigos; de sua performance sensual na praia, a bordo de trajes sumários; ou ainda as primeiras imagens de seu filhote recém-nascido, nos braços de uma mamãe inchada e mal-humorada, pós-parto. Tudo é válido e tudo é “lindo”.
De acordo com a pesquisadora Giovana Ersching, “(...) habitamos um território novo, em que a noção de propriedade, autoria, esfera pública e privada, veracidade, passou por reconfigurações, num local que não é mais local, e sim global, e que por isso faz com que todos sejam do mundo e o mundo seja de ninguém”.
A questão é que não existe privacidade na internet – pelo menos não absoluta. Como disse Carlos Castilho em seu post no blog Código Aberto (Observatório da Imprensa), “temos que (...) aprender a viver cercados por paredes de vidro”. Para ele, ao invés de tentarmos criar muros para proteger nosso individualismo (para quem faz questão deste princípio, outrora tão cobiçado), devemos sim promover a individualidade. “Em vez de encaixotar a privacidade, deveríamos estimular a transparência como forma de garantir a ampliação na circulação de informações, premissa básica para a produção de conhecimentos essenciais na economia digital da inovação”.
A pesquisadora Lúcia Santaella tem uma visão um pouco mais otimista deste “império” da máquina ao qual todos nós nos submetemos de livre e espontânea vontade. “Não há por que desenvolver medos apocalípticos (...). As máquinas vão ficar cada vez mais parecidas com o ser humano, e não o contrário”.
É possível sobrevivermos, enfim. Agora faça um favor a si mesmo: saia da frente do computador e presenteie-se com cinco minutos de pura contemplação ociosa debruçado na janela.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Espaço Virtual - Por: Cristiano Medeiros
O que é real e o que é virtual no ciberespaço? Sherry Turkle, doutora com estudos ligados a essa área comenta sua posição. Turkle não faz divisão desses dois termos, prefere defini-los como virtual e do resto da vida. A doutora acredita que os dois estão interligados, pois os dois são realidade e dependem de tempo e dedicação. As divisões entre a realidade e virtualidade parecem não existir, afinal se vive no real e no virtual ao mesmo tempo. Todas as ações criadas e vividas no virtual de alguma forma vão interferir no real. Turkle acredita que o ciberespaço é um local de experimentação, que cada vez mais apresenta novas formas de aprender, ensinar, se comunicar em geral. A internet passa a ser um local de troca. Um local aconchegante, amplo, um “bistrô”, onde a qualquer instante podemos buscar ajuda, auxílio, e temos a certeza na multiplicidade de ferramentas e usuários que irão nos fornecer esse apoio.
Virtualidade. Esse termo nos liga diretamente a uma linguagem, meio de comunicação dentro de um espaço. Toda evolução tecnológica, conceitos, significados sofrem modificações, a forma de comunicação entre as pessoas que mais avança é feita através de conexões digitais, tudo isso faz da informática essa linguagem virtual. Três autores discutem sobre o significado de virtualidade: Pierre Lévy, utópico, acredita no aspecto tecnológico do conceito, enfatizando suas potencialidades. Na sua tentativa de qualificar a tecnologia, cria termos como tecnologia intectual, inteligência artificial, etc. Já Jean Baudrillard, tópico, apresenta a tecnologia no aspecto perversivo. Não há como negar as tecnologias, mas o homem está se tornando submisso à maquina. O público e o privado se confundem, o virtual não é pensado, mas somos pensados por ele. Não existe mais tempo linear, apenas uma névoa de imagens virtuais. E por fim, Gilles Deleuze, atópico, apresenta a virtualidade pelo aspecto filosófico. Para Deleuze virtual e real constituem-se em formas de manifestação da existência e do pensamento. Compreende que o virtual existe enquanto potência, também incorpora a tecnologia em suas discussões sobre o conceito, mas não se circunscreve à ela.
Cristiano Medeiros